segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cazuza - Burguesia




       Proletariado x burguesia – Será que dá música? Se a vida imita a Arte, a música representa a Vida. Você acha que o dia a dia pode ser musicado? Ou não?  Olha, quem disse que 'não' é porque desconhece as possibilidades, as idéias geniais e "mirabolantes" e a enorme responsabilidade social daqueles que, conscientemente, desempenham produtivamente seu espaço na mídia e na sociedade. É justamente o buscar o caminho contrário da "preguiça musical" a que o Carlos da Costa se referiu. É ter coragem e buscar espaço útil no mundo. Vivemos um momento “tenso”, bombeiros reinvidicam melhores salários, condições dignas de trabalho, o mínimo necessário para o desempenho de sua honrada função. Professores igualmente desprezados pelo Poder rebelam-se pacificamente e vão às ruas clamar por melhores salários. E médicos e policiais e o judiciário, trabalhadores em geral e por aí vai, gente como a gente que tão-somente espera o que deveria ser, de antemão, respeitado em suas vidas pessoais e profissionais: dignidade! 
       Levando-se em consideração que a verdadeira Liberdade-Igualdade-Fraternidade só poderá ser possível através de um, até então, utópico equilíbrio burguesia-proletariado, aguardamos esperançosamente lembrando nosso poeta Agenor de Miranda Araújo Neto – o Cazuza. Revolucionário, contestador, talvez não exatamente um "bom exemplo”, mas que, inegavelmente, com seu jeito espontâneo e polêmico abalou, e muito, os alicerces da sociedade pseudo-puritana dos anos 1980. Seu último disco, Burguesia, foi gravado quando o cantor já estava numa cadeira de rodas, soropositivo e bastante enfraquecido devido ao HIV. Álbum dual, com rock/MPB, que lhe rendeu um Prêmio Sharp – homenagem póstuma. Amado por uns, criticado por outros, nunca ignorado, Cazuza e seu Burguesia é parte importante na nossa música.

Fica aqui a música protesto-despedida de Cazuza:


                                                                                                            Autora: Renata Afonso
Reações:

2 comentários:

Marlon Sérgio disse...

Renata, sempre gostei muito da poesia de Cazuza, da música dele, de suas inúmereas frases incríveis, românticas, polêmicas, engajadas; mas sempre muito densas, profundas. Minha ideologia política não me permite imaginar que o tema proletariado x burguesia possa dar música, pelo menos uma capaz de musicar nossos dias. O contexto da denúncia, da constatação crítica contidas nesta canção é atual, renova-se, e uma classe subjugada por outra continua a encontrar muitas barreiras para se desvencilhar de uma série de dependências da classe que detém o comando, que determina regras, direitos e deveres - que não são iguais para todos. Cazuza, sensível a essas disparidades muito presentes e marcantes em nossa estrutura sócio-econômica passa, em prosa e verso toda sua indignação diante de tudo isso! É, Cazuza, enquanto houver burguesia não vai haver poesia, porque as desigualdades e injustiças sociais realmente podem despoetizar esse enredo, mas podem também fazer da poesia algo de beleza ainda mais rara e preciosa!

marcos pablo disse...

é um campo de estudo que se abri... as incongruencias do capitalismo só aumentam... e precisa-se de pessoas críticas e desveladoras destas injustiças no meio artísticos/cultural... principalmente na mídia. Nos domingos e sábados, vejamos o quanto de se dar abertura à musicas idiotadas e sem um pingo de contestação social, sem haver com a realidade nua e crua... é só cançõezinha de amor e funk ou pagode... com letras piegas ... sem falar nos pop stars de hoje... garotada como 'ah se eu te pego" ou aqule menino com cara de bobo luan santana ou mais pirados e idiotados restarte... puta q pariu.. fui

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