domingo, 27 de janeiro de 2013

Um lado obscuro de John Lennon







"Nunca vi tanta dor em minha vida", diz psicólogo sobre John Lennon.

Todos lembram do John Lennon criativo, revolucionário, idealista, sonhador - mas o que ninguém sabe é que esse homem no fundo era profundamente infeliz. Quem conta é Arthur Janov, psicólogo de 88 anos, fala mansa e baixa, Ph.D em psicologia pela Universidade da Califórnia, extremamente sensível e competente, com 11 livros escritos, que tratou Lennon 
por longo tempo (tratou também Steve Jobs, outra pessoa com muitas dores de alma, mas sobre isso falaremos noutra oportunidade.)  Segundo Janov, doenças e neuroses são resultados de dores reprimidas sobretudo na infância e no parto. A solução, ele diz, é reviver a dor e chorar tudo que tiver de ser chorado. "Toda a dor de não ter sido amado quando criança fica gravada no cérebro, nos músculos, nos ossos, na alma. Ela nunca vai embora, só pode ser amenizada", contou. Se não fosse pela terapia, o mundo não teria visto um dos álbuns mais pessoais e intensos do rock, "John Lennon/Plastic Ono Band", a estreia solo do ex-Beatle, de 1970, escrito durante o tempo em que ele se tratou com o psicólogo californiano.

Lennon sofrido

"Nunca vi tanta dor em toda minha vida", conta Janov sobre Lennon, abandonado pelos pais e criado por uma tia. "Ele me mandou o disco assim que ficou pronto e eu toquei para um grupo de pacientes. Todos se emocionaram, começaram a chorar,  porque o álbum falou para suas almas. Foi impressionante. A partir das conversas entre Lennon e eu, ele escreveu o álbum. Uma vez, perguntou sobre religião e eu disse: "Quanto mais dor você sente, mais precisa acreditar na religião. Virou a canção "God". 


Duas canções viscerais de John Lennon: Mother e God 

Mother


God

Reações:

21 comentários:

Eugenio disse...

John Lennon não era apenas um poeta, mas também um pensador - dos bons. Na verdade, apenas ele e Harrison pensavam. Sir Paul é um mercenário e Richard Starkey, um desmiolado.
Esse foi o maior estrago causado por Chapman: matou um gênio de apenas 40 anos, numa crise que certamente seria superada e então teríamos um John Lennon maduro. Quem se arrisca a dizer sobre o que, John Lennon estaria compondo hoje?

Lilly disse...

Verdade, Eugenio, e segundo conta Paul McCartney, Lennon tinha uma facilidade impressionante para criar letras e melodias geniais de primeira, uma atrás da outra. Era um pouco genioso (como todo gênio), mas puro fogo de palha, nunca deixava de pedir muitas desculpas. Juntos eles formavam uma dupla muito bem azeitada, uma amizade estreita e amorosa, como jamais McCartney conseguiu com ninguém depois.

Roni Sauaf disse...

Li, John Lennon é fodástico............. grande escolha...
Eu sabia desse lado dele, e aliás essa depressão eh comum aos caras geniais como ele.....

Abordagem bem interessante, espero que faça sucesso.

Besos

Lilly disse...

Pois é, Roni, dentro do espírito do blog, tentei escolher um lado do Lennon que não fosse muito conhecido do grande público. Que bom que vc gostou.

Precisamos combinar nossas aulas aqui no hotel, né?

Beijo

Terre Nunes disse...

Muito interessante, não sabia disso. Então o gênio era um ser humano normal como qualquer um de nós, sujeito às mesmas mazelas... isso só o engrandece mais ainda e mostra uma das razões de sua extrema sensibilidade e obras que tocam nossos sentidos e nossas almas.

Beijos

Lilly disse...

Com certeza, Terre, dificilmente quem não passou por muito sofrimento com ele é capaz de ter essa sensibilidade, essa capacidade de emocionar, inspirar e encantar. Jung disse certa vez que todo bom psicólogo tem uma ferida simbólica na alma, de forma que consegue empatizar melhor com o sofrimento dos pacientes. John era um pouco psicólogo também.

Beijão

Cynthia disse...

Adoro Beatles, adoro John Lennon (mas quem não gosta?) Sou de uma geração que curtiu muito os rapazinhos de Liverpool, que depois cresceram, amadureceram, tomaram cada um sua carreira solo, mas sem nunca perder a graça e o espírito revolucionário e idealista.

Que coisa saber disso da vida de John... mas quem sabe não foi positivo para a arte dele?

Ótimo o blog de vocês, muito bonito e de conteúdo impecável. Sucesso.

Lilly disse...

Realmente, para não gostar do John Lennon precisa ser muito insensível e cego à qualidade.

Não chego a ser fãzoca dos Beatles, como muitos, mas reconheço seu caráter revolucionário para o rock e gosto muito do George Harrison (do Lennon nem se fala.)

Obrigada pelos elogios e... Deus te ouça!

Túlio Endres disse...

John Lennon, este grande nome da música em todos os tempos. Quando foi assassinado, alguém falou: vivemos tempos estranhos, em que o mundo já mata até seus palhaços (referindo-se a "palhaço" no sentido daquele que diverte.)

Pois é, ele se foi, mas deixou seu grande e maravilhoso legado. De certa forma continua vivo. Pena ter passado por tanto sofrimento, mas, como já comentaram, isso contribuiu para a qualidade de sua arte.

Belíssimo blog, conteúdo ótimo e consistente. Procurarei visitá-lo mais vezes e, assim que possível, me filiar.

Lilly disse...

É... John Lennon das canções lindas, tocantes, sensíveis, como Number Nine Dream (uma das minhas preferidas dele.)

Já virou clichê falar assim, mas John Lennon não morreu, apenas passou para a imortalidade e ficou para sempre em nossas almas.

Obrigada por gostar do nosso blog, nós nos esforçamos para deixá-lo cada vez melhor.

RMFilho disse...

A dor da alma nos inquieta. Nos instiga. Rompe a inércia. Para quem tem o dom da "fala" (arte), faz berrar. A maioria de nossos grandes artistas, compositores e escritores sofriam de dor na alma. E, graças a isso, vemos que a dor também faz parte da vida, da criação, da busca, do crescimento. Sem a dor e a frustração, nunca saberíamos o gosto da paz de espírito e da conquista. Lennon viveu 40 anos como humano, mas 80 como ser.

Rogerio Rezende disse...

Começei a seguir agora o blog... me parece muito interessante, logo estarei a par de tudo que aconteçe no mundo da musica...

Lilly disse...

O que dizer, Ruyzinho, depois dessas palavras tão verdadeiras? Só assinar embaixo.

Beijo

Lilly disse...

Rogerio, que bacana que você tá nos seguindo! Não vai se arrepender, pois sempre traremos o melhor em música e assuntos diversos, assim como novidades atrativas aos leitores.

Glauce disse...

Reconheço a imensa contribuição de Lennon à m´suca mundial, mas nunca fui fã de carteirinha. no entanto é bacana saber que até ele teve suas dores mais profundas... bom, era mortal tb!

Gary disse...

Infelizmente, parece que é regra: mentes brilhantes são produtos de grandes doses de infelicidade. E se o pai de Roger Waters não tivesse morrido na guerra, Waters seria um gênio?

Geralmente paga-se um preço muito alto para ser um gênio, seja lá em qual área for.

Lilly disse...

Glauce, é uma questão de gosto, respeito. Mas arrisco dizer que se você conhecesse todas as músicas dele era capaz de mudar de ideia, porque ele tem muita coisa boa. Uma delas eu até citei aqui: Number Nine Dream - é linda.

Pois é, teve dores, e isso o humaniza ainda mais, o aproxima das pessoas comuns.

Lilly disse...

Gary, será que infelizmente? Na verdade, a tristeza, a melancolia, a amargura, tornam as pessoas mais profundas, mais interessantes, mais inteligentes, criativas, capazes da arte mais significativa, expressiva, da arte com A maiúsculo. E esses sentimentos fazem parte da existência humana, são o outro lado da alegria, na dialética que inclui noite e dia, frio e quente, claro e escuro, etc.

Gary disse...

Muito sinceramente, eu acho tudo isso uma grande merda (perdoe-me o palavreado, não achei designação melhor. Mas como faz parte da vida, fazer o que neh? rs

Agora é preciso avaliar se vale a pena pagar um preço tão alto pra se destacar em algo tão subjetivo como a arte.

Lilly disse...

Gary, pode até ser sofrido para o criador, mas para o apreciador da arte, seja literatura, música, pintura ou qualquer outra, é uma verdadeira delícia. Já imaginou se não tivéssemos as obras inigualáveis de Machado, de Shakespeare, de Beethoven, Chopin e tantos outros?

Mas insisto em que a tristeza é um estado natural que o homem não deve evitar, sob pena de permanecer sempre alguém medíocre e vazio. Machado, por exemplo, aproveitou sua dor e descrença na vida para escrever obras de grande calibre, com sua ironia impagável, reconhecidas até no exterior. Aliás, recentemente o próprio Woody Allen considerou "Memórias Póstumas de Brás Cubas" como um dos cinco livros mais importantes em todos os tempos, de uma graça, universalidade e contemporaneidade saborosas.

tony disse...

Excelente postagem, as inspirações de muitos artistas podem ter mesmo motivações pessoais, afinal para se expressar com grandiosidade de forma artística sentimentos sinceros é preciso ter sensibilidade e talento, o que definitivamente é para poucos, John Lennon sempre foi talentoso desde a época dos Beatles onde muitas de suas composições se destacavam, é preciso sentir na pele certas dores para se expressar com sinceridade e emocionar, diferente de tantos outros artistas com intenções "vendáveis" apenas.

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